Devagar





Há muito tempo, posso até dizer que desde sempre, ela nunca se viu assim. E eu nunca a vi assim. Hoje, atrás daquele campo de flores azuis eu vi ela tirando sua armadura tão frágil. Hoje, atrás daqueles olhos que seguem o mesmo tom de seus cabelos, eu ví ela se segurando na insegurança de não ser a verdade.
Vieram gigantes de todos os lados e açoitaram minha pequena. Grandes gigantes, enormes gigantes. Lembranças de noites não terminadas. Noites que se perduraram por noites e dias. Vidas que entraram dentro de sua vida para trazer a morte. Um passado que ela não viveu batia na porta dela, e com uma chave no pescoço conseguiu muito bem abrir.
A pior dor, ela dizia, é aquela que você não sabe de onde vem, nem quando vem. O crédito da dúvida só feriu todo o corpo da minha cabelos de fogo.E por alguns segundos ela não se importou de ver seus vestidos antes brancos, molhados com o vermelho que deu lugar ao cinza. Ela por alguns longos segundos, ela não se importou com o que todos diziam: Fraca! Acha que tudo roda em volta de seus olhos!
Pobre garota sem casa, sem armadura, sem música, sem vida. Pobre ela que não queria mais ser quem era. Por outros grandes e longos minutos ela se sentou onde ela costumava se sentar todos dias, na chuva, no Sol, na neblina fria que aparece às 5:30 am. Lá estava ela. No topo do vale.
Foi nesse modo que eu vi ela se desmoronar em si. Toda beleza, todos os sorrisos, todos os ditados que ela inventou, todos os desenhos que ela me mostrou, as palavras que em várias noites ela escreveu, se desfizeram diante de seus pés. Pequenos pés pintados de branco e preto. Cansados pés, pintados de branco e preto.
Sem saber pra onde ir, segurando um Oceano nas mãos, que nessa altura do campeonato já escorria por entre os dedos. Ela se sentiu no meio da multidão de fantasmas que prenderam ela naquele dia.
Ela que tanto lutou por seus ideais, morreu pelo benefício da dúvida. Foi corroída noite e dia e noite por uma só dúvida. Cabelos de ébano quebraram aquele coração cor de seleta. Olhos grandes cegaram seus olhos de vinho. Lábios grandes calaram os lábios de vinho.
Não era quem eu queria que fosse. Não havia resistencia que eu pensei que houvesse. Não tinha mais nada alí, fora o corpo da menina que poderia ter me amado, com toda a sua alma.
E morta foi, por mais que um serial killer. Um jogador de palavras ao vento, conquistador caro. Que com palavras, plantou a semente da dúvida, que quanto mais secava a terra, mais deu frutos. Matou a Roza, que já não estava tão viva. Matou a Roza, que já não tinha cor.
Febre, tosse, asma. Onde está A.R.? Vozes chamavam ela por todos os lugares, e eu podia ver pés vermelhos correndo um asfalto laranjado. E no amarelo estava seu corpo na forma de uma suástica sem forma. E quando pensei que ele poderia vê-la, foi em outros braços que ele parou. Não tinha mais ninguém. Pena dela!
Nada por ela. Nada por ele. Dedos dormentes era tudo o que ela tinha. nada mais. 
Hoje, ela só quer se alcoolizar e dizer que tudo está bem. Hoje, ela só quer ser vermelha, e acabar com todos os contrastes. Nada mais importa. Nem velhos lugares, nem velhos hábitos fazem mais sua filosofia. Nada mais importa, é o que ela tanto dizia.
Ele nem se importava. Um sexo após à noite não importava. Nada mais. Tudo duplamente feito. Tudo grande. Era assim que ela via. Nada mais era igual à antes. Eu só queria voltar ao que era. E só não estar tão chapada pelo vício que eu tinha. BEM, eu estou escrevendo durante meu falso devaneio, esperando justificar algo que ainda não disse
Algo que faça sentido, algo que falte na parede, algo que me dê o horizonte. Se não for para ser, que não seja e tudo aconteça como for pra acontecer. Não quero ela para mim, mas a quero bem, sempre bem e fora do pote dele. Aquele pote pintado hálito de bebâdo, marron e fosco, com transparência confusa e alheia. Ele com olhos incrivelmente sedendos, olhos de tão marrons eram quase negros, negros que agora eram a luz do meu tunél. Da certeza das reticências me senti mastigada, docemente masgitada. Nesta lástima de viver, estava ele a cada dia vivendo sua pequena rotina, nada de sobreviver rastejando e comendo as migalhas que um sonhador ofereceu. Da neblina que embaça a janela dela por fora, eu pude escrever a verdade . . .

O velho Blue Jeans



Ela gostava de seu blue jeans. E gostava de quando ele ficava velho, se desfazendo toda vez que era estendido no varal. Era sim, ela gostava do seu blue jeans. O jeans azul, desbotado, com ar de muito antigo, com cara nova, algumas janelinhas que deixavam ver a sua pele cor azul. Blue, blues, azul. Jeans azul. O símbolo do comunismo, muito bem inserido no capitalismo.

Ela trabalha a semana toda e tira folga nas terças, pra escutar som. E sempre com seu BJ. Ela trabalha, canta, toca e namora com ele. Nada sem ele. Tudo com ele. Ele.

E não importa as combinações. Azul aqui deixa de ser uma cor fria pra ser uma cor neutra. Assim ela usa vermelho, azul, amarelo, roxo, preto, branco, com bolinhas, listras, xadrez, estampas de bichos e flores. DIVERSIFICADAMENTE.

E o jeans, de aparência tão grossa, grosseira e pesada, nela desenha os seus contornos levemente, como se deixasse de ser Blue Jeans e fosse apenas Blue seda. Seda. Ceda e sede. É interessante como ela brinca com as palavras da mesma forma que ela combina suas roupas, sempre acompanhadas por ele.

O BJ parece ter sido feito nela. Fica gracioso, belo, vívido, nos seus cento e sessenta e cinco centímetros de luz. Combina com o batom que ela usa, com o sutian que cobre seus seios, com sua cintura roliça, com seus pés número 35, com seu cabelo muito bem desalinhado.

Com pincéis azuis e tintas vermelhas, ela pintava quartos de cor púrpura. Era nisso que ela trabalhava. Pintava quartos. Fazia portas nas paredes que só poderiam ser abertas pela mente.
Sempre com seus BJ.

A coisa mais linda era ver ela tirando-o. A graça dava espaço para a sensualidade. A garota dava lugar para uma mulher. O blue jeans dava lugar para camisa. E tudo era assim, até que ela vestisse-o novamente, na manhã seguinte. Diga-se de passagem que ela gostava muito dessa parte.

Era um relacionamento duradouro o deles. Como ela dizia: Meu BJ, minha música, meu canivete e ninguém mais.


11/02/2010

DD/MM/AAAA




Hoje te procurei em velhos recados deixados escritos por muitos lugares. Hoje eu quis sentar em velhos lugares, em velhos horários, pra comer o velho chocolate te vendo passar por mim. E só hoje, me deu saudade do tempo em que ríamos dos filmes que nunca assistimos. Hoje, eu senti falta de seus meios sorrisos que apareciam entre conversas que não eram nossas. Hoje senti falta da vontade que tinha de ser o teu orgulho. Hoje, queria que você só me olhasse um pouco mais, mais que uma olhada desapercebida na rua, na chuva ou na fazenda. Hoje eu te procurei. Hoje eu te procurei como se eu buscasse achar o centro do meu alvo. Procurei dentro da bagunça que atende pelo meu nome, meu verdadeiro nome. Queria ouvir meu nome enquanto você me corrige. Enquanto você me desvenda aos poucos, como antes. Como Anne, como eu. Hoje eu procurei teu nome no meu caderno, na esperança de achar teu telefone, e quem sabe, conversar com você sobre o que gostamos. Poderíamos conversar sobre música, sobre pimenta, sobre bacon, ou só sobre nós mesmos. Algo assim, bem assim.
Mas hoje eu comecei a me perder quando tentava te achar, me perdi de tal forma, que quando assustei, estava imersa em palavras que chegarão nos teus olhos e ouvidos, com um outro sabor. Falei de ti hoje, e me arrependo disso. Hoje eu não lhe achei, nem em fotos eu achei, nem em devaneios lhe encontrei. E ao mesmo tempo, teus olhos estavam tão presentes. Como quem brinca com cores, como quem chora com dedos doloridos, como quem tem medo da chuva, ou quem bebe Pedra. Assim, só assim.
Hoje te quis, como nunca quis. Te quis pra conversar, pra trocar idéias, pra movimentar nossas cabeças. Não vou lhe dizer o que exatamente conversaríamos, porque não sei. Mas queria te levar à novos lugares, aos meus novos lugares favoritos e por que não aos velhos? Quero sempre assim, bem assim.
Hoje eu quis inventar desculpas pra falar com você, talvez lembrar de algo meu que ficou em você. Talvez lembrar de algo meu que ficou com você, e de coisas que você não deixou pra tras. Hoje eu quis sentir um pouquinho de frio na barriga. Barriga. Quis ouvir a banda que mais detesto e a música que mais me faz mal. Hoje queria ser só seu BlackBird, ser uma Little Wing, ser teu Tempo de Verão e tua Vermelha. Só tua. Hoje quis entender e ouvir o que você escreve. Quis te proteger do que você se enche e entender por que ainda fica vazio. Quis você pra tanto. Quis tanto você. Hoje quis brincar de desentendida, ser tua loucura. Hoje eu te vi, tropeçando em seus pés, numa estrada que você que escolheu partir. Hoje, foi um dia perfeito.

BORA BEBER!


Boa tarde leitores do VD! Esse post inútil ganha utilidade aqui: Obrigada.
Em nome de todas as Senhoritas Valentinas¹ (Géssyca e Laiane), eu, Donna Valentina¹ (Anne), venho agradecer as mais de 2000 visitas ao nosso blog. Como forma de agradecimento, busquei no meu registro, as perguntas que apareceram constantemente sobre o VD.




Há quanto tempo o blog existe?
O Blog mesmo tem uns 5 ou 6 meses. Antes era um fotolog.


Qual a diferença entre usar um fotolog e um blog?
Resolvi fazer um blog, porque ele é muito mais democrático. Comecei com o fotolog em 2007 e ouvia muitas pessoas dizendo que liam os textos, mas não comentavam por não ter fotolog. Depois de uma série de desativações e ativações, o blog foi definitivamente feito.


O fotolog ainda existe?
Sim e não. O fotolog original, o primeiro post como D. Valentina, foi no /valentine_day, que foi excluído, virando um livro com outros textos ainda não publicados, lido por apenas duas pessoas. Depois eu fiz outro, o /valentine_day2 (note a criatividade para nomes) que ainda existe.


Por que você excluiu o /valentine_day?
Houve uma série de problemas na época. Um contexto muito grande. Fui mudada de turma, logo no ano da minha formatura. Muito chateada com a situação, escrevi um pouco sobre minha nova turma, que não agradou muito a todos. Foram sete linhas de uma raiva muito bem expressada. Depois disso, imprimiram meu texto, levaram-o até a escola, escreveram no quadro e um grande barraco formou-se por uma crônica inocente. Depois disso, ví o quanto era exposto a minha vida, e por fim, decidi excluí-lo.


Qual o melhor texto que você já escreveu?
Ainda não sei. Gosto geralmente do que escrevo imediato. Por exemplo, no momento, estou extremamente apaixonada pelo Refletor 98331. Mas assim que postar esse que questionário formspringiano, eu vou amá-lo. Mas assim que posto outro, me desapaixono pelo anterior. No fim, acabou não gostando de nada que escrevo.


Onde você se inspirou pra fazer o #MusicMonday?
No twitter. Mas deixando claro, não era #musicmonday no ínicio. Era #musicsaturday.


Onde você se inspira pra escrever tanto?
Eu não me inspiro, eu vivo.


Como as meninas entraram no blog?
Bom, uma vez eu fui viajar para Caldas Novas e o blog ia ficar meio desatualizado. Para não deixar meus leitores na mão, resolvi convidar duas amigas para me ajudarem nisso. Laiane só foi postar meses depois (¬¬) e a Géssyca me encantou muito com o profissionalismo de suas palavras. Aí um convite informal, tornou-se uma convocação pra me ajudar no blog. Hoje, são Valentinas como eu.


"Como faço pra escrever no seu blog?"²
Nasce de novo, querida.


Já recebeu críticas ruins sobre o seu blog?
Claro, é normal. É chato, mas também é excitante ver que quem critica são pessoas que não conseguem fazer algo melhor.


O que você faz além de escrever no blog?
Sou professora de inglês, em duas escolas. Sou a Secretária do SuperNova, faço coberturas de eventos, edições e books fotográficos, posto uma coluna (ir)regular sobre música às terças em outro blog (Escutaí...). É isso.


Pretende manter o blog?
Talvez. Não sei. Sou viciada em mudança. Pode ser que você atualize sua página agora e o layout seja rosa com flores azuis e anjinhos coloridos (não). Sendo assim, não posso prever o futuro. Mas espero que o que eu escrevo seja lido e útil por outras pessoas.


Você conhece as outras meninas pessoalmente?
Sim, claro. Estudamos juntas há MUITO tempo atrás.


Além de vocês três, quem mais tem acesso ao blog?
Eu e meu lado masculino.


Por que tanto mistério nos textos?
Entenda que pra alguém, meus textos fazem total sentido.


Por enquanto é isso. Para presentear à todos os leitores, essa semana estaremos todas postando sobre um mesmo assunto: "Admirável mundo novo". Mandem perguntas novas e novamente OBRIGADA!


¹: Até que ficou legal :D.
²: Isso tem um destinatário específico.

Refletor 98331

Pegue dois espelhos, de mesmo tamanho e em mesmas posições. Que imagem reflete nesses espelhos?

O que há no fundo de dois espelhos? E o que existe no interior deles? Há imagem que não é imagem? É uma não-imagem ou a única imagem? Um baú. Uma caixa vermelha com função de preta.

Às vezes acho que vai quebrar tal imagem. Quando penso nisso, começo a sentir até uma pressão nos ouvidos, como estivesse vendo a cena.

Dois espelhos. Colocados em frente um do outro. Para Lewis Carroll, levava para um mundo de maravilhas, atraves do espelho. Talvez para ele, o espelho é só uma portinha no meio da casa. Só um passo em falso, e numa estrada preta-branca apareceria lá de bom grado. Mas meu coração fica em fúria como uma tempestade no meu Oceano, quando penso no que poderia aparecer nessa situação.

Tente, só tente. Umas poucas vezes tente. Espelho X Espelho.

Aí me lembro de sábias palavras. Vamos antes falar delas sem mostrar o que elas são. Palavras que pareciam tão precisas e tão sinceras. Outras vezes palavras tão misteriosas. Talvez, esse mistério aguçou meus sentidos, para aprender a degustar frutas por uma imagem. Será que a imagem do espelho frente à espelho supera os sentidos de tal forma que tem gosto, sabor e cheiro? Excelente. Assim fico cá pensando nisso, enquanto meus olhos quase podem ver a tal imagem. Então será que sou a imagem desse confronto refletor quando isso me acomete? São tantos mistério. Tantas coisas que ficam ainda cobertas pra quem já corre sem panos. "Quebrei meu espelho, e botei nele o meu coração".

Para sempre




Acho que a mistificação do "para sempre" foi desfeita quando houve a primeira morte. Será que as crianças dessa época tiveram alguma coisa "para sempre"? Não sei, mas não queria ser uma delas. Nada alí dava base para que ela soubesse que tudo é para sempre. E eu por esse ponto de vista, até que gostaria de ser ela só pra gozar desse momento breve, findado pela primeira morte.

Imagine você, mas volte bem no seu registro histórico. Imagine como foi a primeira morte. A primeira morte que o homem presenciou (claro de outro ser humano)... Imagine. Estranho, não é? No momento talvez, veio alguma coisa relativa àquelas grandes produções cinematógraficas, ou até mesmo a forma do homem com duas folhas cobrindo suas partes. Pois bem, seja lá como foi a primeira morte, ela foi. Com toda a crença nascendo naquele momento.

A morte é a raiz de todas as crenças. Acho que foi o primeiro raciocínio que o homem teve em relação à outro. Mas enfim, as crianças tendem à acreditar muito no "para sempre" de fim de história. E como foi para a primeira criança ver o "para sempre" dela, a "vírgula" que ela via na vida, as "reticências" de uma vida que não era tão fácil assim, se tornasse um ponto final, ou talvez, no caso de achar um dente-de-sabre, um ponto de exclamação? Triste, chocante ou engraçado? Sim, por que não engraçado? Talvez aí tivesse sido a morte da crença do "para sempre" e o nascimento do humor negro.

Para que as crianças continuassem a acreditar no "para sempre", talvez pra esquecer de quando a mãe a deixar, talvez pra ela não chorar com a perda do gato que ela cuidava, foi criado um novo paragráfo escrito em branco por mãos tão manchadas. Deuses, fadas, bruxas, duendes, elfos... e toda a parafernália que a chamamos de crenças e mitos foi criadas ali, junto às cinzas de outras crenças mais inocentes e menos elaboradas. A morte e a origem de uma mesma coisa. Como um vai-e-volta de demasiados arcos de fogo e fumaça. Todos na cabeça de uma pequena criança, que vê agora criado em cima do ponto final, um outro ponto, dando nascimento dos dois pontos (:) dando explicação à tudo o que havia atrás.

Acho que também deve ser por isso que nossas crianças não estão com a mesma crença, com tanta parte lúdica, com tanta percepção de arte. Porque logo cedo, explicam que morte é só um soninho, ou só "foi lá pra cima". A morte então passa a ser não muito fantasiada. É só "foi lá pra cima". Uma desculpa fácil e não criativa. Falasse então que o caixão é uma cápsula. E deixar que a criança imagine isso. Só um pouco. Só por um dia. Falasse então que as cores das rozas¹ tem um significado especial. Só fantasiar algo que um dia, será muito dolorido para ela.

Então é isso. Um "para sempre" que acaba, abre caminho para uma ilusão muito conveniente chegar. E entre devaneios e desacertos, vou escrevendo aqui, coisas que jamais deveriam sair da minha cabeça.

¹: Sei que rosas se escreve com "S".

O espaço






Hoje eu a vi na rua. Como há muito tempo tem sido, ela se veste de vermelho para não mostrar o cinza que tem tomado espaço.


Hoje ela me disse que está saindo do lugar que ela estava. Hoje ela falou sobre seus planos comigo. Levou-me para seus lugares favoritos, e com uma voz em fade, ela me contou seus segredos ao pé do ouvido. Ela há muito não se revelava assim.

Ela começou cantando aquela música que falava sobre castelos de areia. Disse-me que essa música a acalmava nos seus momentos mais frios. Eu então aprendi a tocar essa música para ela. Ela me disse que a música que falava de estações, tirava da cabeça dela todas as outras músicas. Então, eu aprendi a tocar essa música para ela. Ela disse que a música que falava sobre os campos de algodão, fazia ela se sentir alguém mais forte, mais viva, mais colorida. Então, prometi a ela que tocaria essa música.

O que me deixou impactado foi quando ela me falou sobre o silêncio que ela queria ouvir: Hoje não havia mais desenhos na parede, nenhum blues a faria dançar na roda, nenhum violão prenderia sua atenção, hoje nem o sexo e nem o álcool limparia a cabeça, hoje não tem brincadeira.


Aí então foi que me perguntei e comecei a sentir falta daquela risada pneumática. Seus olhos que se esquivavam dos meus, como um convite. Sua boca quente, quente, quente, quente, quente... Seu corpo ardendo em cima do meu, seus cabelos vermelhos que iam ao alto do quarto. Da forma que ela falava sobre seu futuro tão pequeno, da forma que falava sobre seu passado tão grande. Como ela queria viver e como ela me via.


Eu senti tanta falta disso, quando dei por mim, ela atravessa a rua mais movimentada daquele campo e seu corpo se perdeu dentre carros e motos amarelos. E como antes contratado, ventos me açoitaram pela sua falta. Como ela disse. Hoje sinto a falta dela, que eu nunca senti.
 x

Desvendando

Note apenas o que for notável.



De novo você me chama a atenção para falar sobre um relacionamento que você tanto idealizou. Olhar por fora da situação e sair julgando tudo é muito simples, principalmente quando se tem como uma grande capa protetora o Criador. Mas hoje quero falar com você te tratando pelo nome. Da forma que você é e não de como se criou.

Eu já disse aqui e direi novamente, que é inacreditável eu ver você fazer todas essas coisas novamente. Que trabalho dei eu à você. Vejamos bem: quando me tiraram o meu bem mais precioso e nunca mais me mandaram rosas, não lhe pedi ajuda. Quando gigantes me tiraram o ar, o peso, me jogaram na parede, eu ainda estava lá, subindo a água do poço pra você beber. Quando ele disse: "Good Bye", não foi pra você que pedi pra que ficasse.

Lembra de quando seu coração começou a explodir. Só nós duas trancafiadas num local só. O que eu fiz? Fui até meus inimigos pedir ajuda. Lembra quando as tempestades assolavam nossos barquinhos e estávamos eu e você juntas? O que eu não aguentei por você? E uma criança, apenas uma criança lutando contra tudo e todos pra conseguir dar um orgulho que fora antes prometido.

Quando meu tédio se fez presente e meus ideais tomaram o lugar de uma fé insana, cinco dias de vida você me deu, não sabendo que tinha me matado ali mesmo. E com meus punhos, eu atravessei vidros, derramei meu sangue em meu nome, quando você disse que me derramaria de você.

Mas depois de todas as portas fechadas que você me deu, depois de todas as vezes que me virou as costas, por que fechar os olhos verdes pra mim?

Por que?
Por que?
Por que?

Go


Depois de uma grande névoa, ela se sentou e calou-se. E mesmo que o violão e os carros rangessem, parecia pra mim um grande silêncio, causado por um soco no vento.
Segurando a água contida de várias e várias tempestades que assolavam o barquinho azul, ela continuou a segurar-se no silêncio.
E aos poucos, a névoa se desfez e pude ver que aqueles olhos cor de vinho já não eram os mesmos, pois toda água escrevera alí uma frase ainda não terminada. Jamais terminada. Ainda.
E por trás daquela boneca de lata (como a lata do seu melhor carro) com lábios bem desenhados e vermelhos era nada mais do que carne e osso. Música e fotos. Sonhos e idéias. Mas naquele momento era como "Ball and Chain".
Pesada, cansada. Um vida vivida por uma criança tentando sobreviver num mundo desabitado. E como uma rosa que perdeu seu caule, ela murchava. Todos seguiam seus olhos, pra tentar novamente ler o que estava lá. Ela, não via nada. E com uma cabeça que já não fantasiava mais as borboletas, nem zebras, nem vagalumes, nem contos de fada, ela segurava ainda o Oceano que havia em seu corpo.
Eu olhei pra minha pequena. Minha boneca, minha pequena vermelha, e como eu queria ter o poder de tirá-la de toda aquela cena. Fechar o teatro e dizer: "Vamos embora".
Naquela tarde, não havia nuvens no céus suficientes para ofuscar a luz daquela armadura mal forjada. Naquela noite a Lua se escondeu. Naquela noite, morta com uma só bala, de um certo baleiro, um serial killer desfarçado, matou minha pequena vermelha.
E manchou os lençóis todos de vermelho, e todas as paredes desciam como uma meia-calça em perna de moça, no tom de seus olhos.
Nada mais eu poderia fazer. Porque ela entrou no descanso que ela tanto pediu. E aí começou minha agitação, como em Summertime. Eu pude ler nos rodapés das paredes, enquanto em meus braços eu via uma vermelha ficar cinza e sumir no meio da mesma névoa que me fez achar.
NONONONONONONONONONONONONONONONODONTYOUCRY!
Uma pequena guerreira, que entrou numa guerra sem querer. E saiu daqui com água nos olhos, uma fita no cabelo cinza e me deixou com uma seda escarlate. Ela saiu com marcas em todo o corpo de um guerra que ela não queria ter lutado. Uma criança, ela só é uma criança. Ela saiu da guerra no mesmo silêncio que entrou. E ainda hoje, há sussuros de sua voz gravemente aguda por todo ambiente. 

Pelo silêncio,talvez venha a paz.

A partir de certo momento da vida passamos a entender algo que,dependendo de estado de espírito jamais entenderíamos.A cada minuto a vida se renova,o que era bom tornou-se caótico e o que era moléstia, como uma proteção pra os próximos males.
Sinceramente,não compreendo essa forma irônica que as pessoas de fora sintetizam os sentimento.Como se tudo fosse um mero teatro,derespeitando o que viver é.E o pior:ter frio e mesmo acompanhando das melhores pessoas,sentir-se sozinho e perdido.Então,uma busca divina ou egocêntrica?
Todo ser tem que ir embora um dia,ou da vida dos outros ou da própria vida.Difícil mesmo é estar sozinho,e sozinho consigo mesmo.Eu lhe desejo força.Eu lhe disse e direi sempre :contigo estarei,até o fim dos tempos e espero que esteja consciente disso.
(o texto é pequeno,mas é sincero)

A verdade.

A verdade é essa. Nunca estaremos preparados para a verdade. Criamos sempre uma versão mais bonita, da parte que mais nos assusta. Colocamos cor na parte sépia da nossa vida, adianta?
Ontem (27/02), comecei a sentir um aperto no coração que não sentia a muito tempo. O ar sumiu de dentro de mim e meus olhos estavam molhados como a muito não ficavam. Inchados por uma noite mal dormida, mal aproveitada, mal proveitosa. Sentia um grito bem calado dentro do meu peito que queria sair, e como a boca não estava aberta e disposta a expulsá-lo, os olhos o fizeram.
Um silêncio. Um apito. Um silêncio. Se ouviu em todos os lugares o mais frio e absoluto silêncio. Que nas minhas costas caíram. Como se bigornas me puxassem minha garganta pra fora da minha boca.

Como nesse momento eu queria ter a voz da JJ, pra poder gritar aos ventos o que eu tenho sentido. Ou o talento de JH pra quebrar uma guitarra gloriosamente.
E como uma torre, como uma ponte, como um corrimão de apoio eu me mantive, pelos olhos de todos, quando meu coração estava surdo de tanto ouvir os gritos da minha alma, calada por tanta dor.

"Like a ball and chain". Assim eu me sentia, jogada num oceano como se estivesse acorrentada à uma bola. Só pensava em trazer todos à superfície. Só precisava ser trazida à superfície. Mas como disse em outros lugares, parece que ainda continuo andando em um labirinto de um só.
Hoje, às 11h um apito gritou no coração de todos aqui. Uniu aquilo que parecia "água e óleo". Separou aquilo que parecia ser um contraste legal. Mostrou o que havia por baixo de uma máscara e abriu os olhos de todos.

Ela partiu. Com seus sorrisos, seus jeitos, seus olhos alegres e sempre com esperança, com sua fé e com um pedaço de todos nós. Nada vai mudar isso.

"O que mataria a dor de um Serial Killer?"

A dona do Mundo



Combination - Meisan - deviantart.com

Eu já tinha tudo.

Tinha a coragem, o medo e a vontade. Tinha dinheiro, o lugar e a seda. Tinha a garrafa, o fogo e o binóculo. Tinha o vento, o tempo e o barco. A música, o café e as imagens.

Tinha as palavras, os ouvintes e os leitores. Tinha Deus, o mundo e o fundo. Eu tinha os cantores, esportistas, esportes e o sedentarismo.

Tinha leite e a canela, a carne a pimenta, tinha o copo e a Coca-Cola, o vaso e a rosa. Tinha hortelã e abacaxi, a camisa, a calça e o tênis. Tinha a força, a corda, a alavanca e o poço. Tinha balde também.
Tinha o túnel e a luz. Eu tinha o escuro e a lanterna. Tinha velas, cones, meio-fios, postes, hidrantes. Todos os hidrantes. Tinha o caderno e as canetas. Todas as cores. Tinha pó. Tinha base. Tinha corretivo.

Tinha todas as chaves e a chave de tudo. Tinha pulseira, pulso e pulsação. Tinha brinco e alargador. O furo e o brinco. O buraco e a jóia. Tinha o caminho e a carona.

Tinha o nascer e o morrer do sol. Tinha montes e todos os vales. Tinha o roxo e o vermelho. Tinha lápis, pincel e tinta.

Tinha o esboço e a arte final. E PF, JJ, JH, JM, TD, TC, JC, BD, LZ, DP, BS, ME, OP, MM, RA, HI, NR, CE, NI, AC... Tinha guitarra, baixo e percussão.

Tinha todos os pronomes pessoais, todos os pronomes de tratamento e os verbos também. Tinha saudade. Tinha o veneno e o antídoto. A doença e cura. O remédio e a bula. Eu tinha o geral e os detalhes.

Tinha a faca e o queijo. E de brinde ainda tinha o pão. Tinha o abajur e duzentos e vinte volts. Tinha dicionário, os livros e as estantes. Tinha meias sockets, 3/4 e 7/8. Sutian, calcinha e bolsas. Tinha o arco-iris e tinha o cabelo. Tinha a chance e a linha de chegada nas mãos. Tinha o jeans e o couro. Tinha o preto e o marrom.

Tinha o bacon, o hamburguer e a cerveja. Tinha os jogos e o rock. Só me faltava você.

Muito prazer.


















Pablo Picasso, Guernica, 1937.



Boa noite caros leitores do VD.Me chamo Laiane , fui convidada a escrever aqui e me sinto lisjongeda.Todas as quintas postarei alguns textos e um tema que só será revelado na próxima postagem,mas garanto que é muito bom.Sabe gente,é que um pouco de mistério deixa tudo mais agradavél.
Até semana que vem,ou antes,com meus textos estranhos.Beijos,Laiane.

Ela Partiu


Um dia, eu cheguei no mesmo lugar onde eu a via todos os dias, e só encontrei o lugar cheio de vazios. Nenhuma porta trancada, nenhuma janela fechada. Eu sabia: Ela partiu.
Eu sentei no banco de madeira, com pregos enferrujados e comecei a lembrar do dia que ela chegou. Com seus shorts jeans, seu tênis imundo e camisa do PF, depois com seu vestido marrom, com suas calças largas, seu cabelo bagunçado, seu óculos mal desenhado, seu lábios vermelhos, seus labirintos pintados assim também. Quando ela entrou em casa, em minha casa e na casa deles, parecia que as paredes tremiam. Nunca vi algo de cento e cinquenta e dois centímetros estremecer uma obra tão grande. As paredes verdes pintadas nunca mais foram as mesmas depois dela.
Eu vi ela chegar, mas não sei a quanto tempo ela partiu. Só sei que ela se foi, e me deixou num quarto cheio de vazios. As minhas paredes se calaram, pra ouvir meus lamúrios. O chão se fez mole, pra que eu repousasse meus cabelos. Meu violão está afinado, minha voz está rouca, e meu pequeno vermelho rouxinol partiu. Cansou dos meus olhos. Cansou da minha voz, ou nem se cansou.
Agora, eu tento arrumar palavras, nomes, vozes, pra encher o vazio que ela deixou. E eu sei queela partiu. Só disso que sei. Porque não é está como quando você sabe que seus pais vão voltar de uma viagem. É como se tudo fosse apenas um sonho e nada mais.
Agora até minhas veias chamam seu nome, que ecoa no meio dos vazios. E eu ví que nem no alvo eu estava. Eu estava nela. E agora que ela já não está, onde eu estou?
Quando ela chegava, causava. Não pela sua beleza, mas porque quando abria a boca, saía um leão maior que ela. E a voz... que voz! Ela cantava quase como um sussurro, mas pra me chamar pra perto, pra ouvir melhor, e me beijar com boca de café e fumaça. E me olhava com seus olhos cor-sem-nome e quando eu olhava pra ela, ela se esquivava. E eu não entendia se era um convite pra olhar mais perto, ou uma fuga do que era incerto.
As vezes, me sentia em suas mãos. Totalmente dominado por pequenas mãos de dedos finos, e palma gorda. Suas unhas desenhavam grandes arcos nas minhas costas. Eu tinha sorte. Muito azar. Um azar dentro de um biscoito da sorte. Um centro dentro de um alvo.
E agora, se foi. Levou meus vícios. Levou meu ar. Ela partiu, ela sumiu, ela se foi. Me deixou num quarto vazio, com frases, sem frases, com paredes vermelhas como seu cabelo. Ela partiu.

O Drama de um Detetive Sentimental em Busca de um Serial Killer Amoroso - Um Romance Noir

Já faz duas semanas que estou no encalço deste perigoso meliante. Ele é um mistério, e os mistérios são tão fascinantes! Há duas semanas que mal como, não durmo, e não paro de pensar. Pensar é meu mal. Meu maior defeito. Minha doença. Quem me dera poder calar o meu pensamento. Quem me dera poder enfiar uma faca nele, ou dar um tiro de trinta e oito. Quem sabe assim ele não se cala! Pensamento idiota! Parece um garoto burguês, birrento e hiperativo. Pula, grita, apronta, chora, corre veloz e irrefreável. Mas nunca para. Nem na hora de dormir! Quisera eu ter um trinta e oito! É nessas horas que me arrependo de não ter servido o exército. Agora tenho que tolerar esse moleque birrento. Atualmente ele só quer buscar uma coisa: encontrar esse terrível meliante. Ele é minha obsessão, meu eixo, meu objetivo, meu alvo. Eu não sou normal. Não sou uma pessoa centrada, organizada, batizada, coisada. Eu tenho sérios desvios de personalidades. E a principal delas, a minha marca de nascença, é justamente a minha obsessão doentia por mistérios. Os mistérios são tão fascinantes! Quando pequenino, meu desenho favorito era Scooby Doo. Mas com o tempo eu vi que todas as soluções eram tão óbvias que nem valia a pena assistir. A única coisa que realmente me fazia assistir o desenho era a Velma, que fazia o meu gênero de garota. Até hoje tenho esse padrão de beleza. Sempre me interesso por garotas que tenham esse mesmo estilo dela, e, principalmente, a mesma inteligência dedutiva. Isso é justamente o que a deixava mais sexy! O jeito como ela graciosamente resolvia os mistérios... Sempre busquei a minha Velma nas garotas com quem me relacionei. Busco nessas garotas aquilo que não pude realizar com a Velma, já que ela é só um cartoon. Ah, quem me dera, conhecer Hanah e Barbera, para me dar uma Velma! Amanheci com um jeito meio poético hoje. É o que acontece comigo sempre que eu amanheço por mais de três dias sem pregar os olhos. Vai ver que é por isso que eu pisco tanto. Quando eu cresci, comecei a me interessar por coisas mais adultas, como Batman e Death Note. Nossa, L era meu ídolo, e Raito era meu ídolo! Meus olhos faiscavam de ver os dois se enfrentando em jogos de mistério tão acirrados! Algumas vezes, não muitas, eu conseguia me antecipar a eles, e prever algumas reações. A sacada é que eu não agia como se fosse uma situação real. Eu nunca tentei entrar na mente de L ou de Raito Yagami. Porque eu sabia que o mundo em que essa hitória acontecia, por mais similar que fosse com o nosso, ainda era um mundo que só existia na mente insana do autor. Aí é que eu entrava. Sempre tentei entrar na mente de Takeshi Obata. Ele era meu objetivo. Eu desvendei a mente dele. Sim, posso dizer isso sem medo de ser pedante. Nos últimos volumes do mangá, eu já era capaz de "adivinhar" cada passo do próximo. Eu me sentia o próprio autor. EU era Takeshi Obata! Meus colegas da época chegavam a ficar putos, porque eu sempre adivinhava o próximo volume. Alguns, indignados, pararam de comprar. Achavam que eu havia descoberto alguma fonte secreta por onde as resenhas estavam vazando. Não deixa de ser verdade. A fonte era a própria mente de Takeshi Obata. Nessa mesma época, comecei a conhecer meus mestres, irredutíveis: Augustin Dupin, que vem a ser um avatar de Edgar Allan Poe, Hercule Poirot, que vem a ser um avatar de Aghata Crhistie, e Sherlock Holmes, que vem a ser um avatar de Sir Arthur Conan Doyle. Não faço nada sem consultar meus mestres. Claro, sem contar com inúmeros outros não mestres mas que foram essenciais para o aprofundamento do meu desvio de personalidade, como Rubem Fonseca, com seu Mandrake, ou Marcos Rey. De certa forma, eles foram responsáveis pela minhas exdrúxulias. São meus mentores. Meu professor Xavier. Eles me ensinaram a usar minha loucura, ou habilidade. Eu via mistérios em tudo, e tentava decifrar tudo. Resolvia todas as questões de matemática antes de o professor passar pro resto da turma. Cruzadinha? Sudoku? Era o primeiro. Nas provas eu nunca estudei. Sempre descobria as respostas só de ler as questões e observar o meu redor, e recorrer à minha memória que é como um gravador. Eu só ouvia os professores falando. Nunca anotei nada. Eu até decorei todas as normas de geografia. Sabia citar de cor. Uma vez eu usei as regras dele contra ele mesmo. Óbvio que eu fui suspenso por três dias, porque ninguém pode desafiar a autoridade escolar e ficar impune. Ainda que saia como herói. Foi então que eu descobri que nunca se deve entrar em confronto direto com os alvos. Eu comecei a endoidar cedo, e hoje eu vivo da minha loucura, da minha capacidade de dedução. Minha mãe sempre achou que eu não ia ganhar dinheiro, que eu não fazia nada, não tinha nenhuma especialização, só ficava vadiando com aqueles quebra-cabeças ridículos. O único quebra-cabeça que eu nunca consegui montar até hoje foi minha mãe. Não sei se é porque ela tinha a cabeça dura. Nunca vou entendê-la. Nem August Dupin pode entendê-la. É com um gosto frio de vingança que eu mando um dinheiro pra ela todo mês. Eu nunca vi o rosto dela nem o que ela fala, mas pra mim é muito fácil deduzir. Olhe pra mim agora, mamãe! Eu vivo da minha loucura, eu compro suas pílulas com a minha loucura. É essa loucura que quer me levar ao fim.
Esse larápio desgraçado está consumindo todas as minhas energias. Só penso em desvendar esse mistério dia após dia. Esse é um dos mistério mais difíceis da minha vida: perseguir um serial killer sentimental. Nunca fiz isso antes. E sabe o que é mais assustador? É que a vítima sou eu. Eu sou um investigador precoce da minha própria morte. Sou o abutre da minha própria carniça, eu que sempre me alimentei da carniça dos outros.
Eu sei que todo serial killer tem um desejo oculto: ser descoberto! Sim, essa é a ironia de toda a história. O serial killer é, por natureza, uma espécie de artista, e todo artista só que uma coisa: chamar atenção. Ainda que isso seja permeado por outros fatores, como por exemplo: a busca da beleza, ou a transformação social. Os serial killers são capazes disso tudo, e precisam de muita "arte" para fazer o que fazem. E, é obvio, eles querem reconhecimento, e até recompensas por isso. Com um killer sentimental não havia de ser diferente. Ele quer ser reconhecido, ele quer que eu o pegue. Nós somos personagens de um "teatro do improvável" sinistro. Somos os atores de um stand up comedy demoníaco. Temos funções bem definidas: o killer quer ser perseguido, e eu quero perseguí-lo. Mas por que ele quer ser perseguido? É justamente isso que me intriga. Porque se eu descobrir isso, então terei matado a charada. O que o serial killer quer comigo? Quer me matar? Quer se vingar de mim? Quer me destruir? Pegar meu dinheiro? Sugar o meu cérebro? Tudo o que sei é que esse killer é tão doido quanto eu. Somos como o Batman e o Coringa. Batman não mata o Coringa por princípios, e este mata o Batman porque ele o diverte. E até certo ponto, será que o Coringa, na verdade, não diverte o Batman? Será que o Batman ama o Coringa? Não quero injetar nenhuma conotação homossexual aqui. Quero apenas ilustrar minha relação com este serial killer. Os serial killers tem um jeito próprio de chamar atenção para si, de serem pegos: Eles deixam rastros. Rastros que são feitos para parecer displicência, para parecerem que não devem ser seguidos, mas na verdade são cuidadosamente deixados no caminho. E o padrão. Seria tolisse achar que sou a única vitima desse killer, assim como o killer não é meu único caso. Mas atualmente é minha mais forte obsessão. Eu não desisto enquanto não resolvo um mistério. Essa é minha vida, minha paixão, o único rumo da minha estrada entediante.
O serial killer em questão já deixou algumas vítimas pelo caminho: um bobo da corte, um trovador e agora um menestrel. Dá pra perceber aí uma certa predileção, mas confusa. O único que obteve a graça do serial killer, até o momento, foi o menestrel. A única coisa certa é que nenhum deles tem mais alma nem coração. Onde está o coração deles? Mergulhado num vidro de formol? Trancado numa caixa de vidro? Porque tanta fome por músculos cardíacos? Eu queria saber. E também porque o meu está na lista negra (ou na hot list?). Há uma outra vítima cuja identidade é desconhecida ainda. Quem será? O bobo? O trovador? O menestrel? O detetive? Outro? Ela está morta ou ainda vai morrer? Ou talvez seja o primeiro serial killer que deu início ao ciclo de mortes... Talvez seja um killer que tenha destruído a alma do meu atual alvo... Há ainda muitas pistas avulsas: Canções, muitas canções, que, ousadamente, o killer me envia às vezes, como um desafio. Prenda-me, se for capaz! AH! Minhas faces queimam por esse mistérios. Minhas zonas erógenas ficam túrgidas ante tal ensejo! Que relação oculta terão estas canções de ninar com todo o mistério? E, finalmente, que relação terão com aquela chave... A chave que revelará o segredo do meu futuro, do meu triunfo ou da minha morte! O que me faz pensar... o que farei quando desvendar o mistério? Por que farei quando despir a verdade ante meus olhos, e vê-la nua e pura para mim? Porque perseguir tão ávidamente um mistério que pode revelar minha desgraça? Porque tentar descobrir algo que talvez eu não queira saber? Então eu acho a resposta em mim mesmo, na minha compulsão. porque minha função não é entender o que acontece, minha função é revelar o segredo, sem me importar com o que vai ser feito dele. Essa é minha sina. Essa é minha compulsão. Talvez eu seja o verdadeiro serial killer! Talvez eu seja o killer sentimental que tanto persigo, ou um killer de mistérios, tentando matar, de mistério em mistério, os segredos do meu próprio coração. E talvez eu nunca descubra, porque o maior mistério de todos é a natureza humana.

Bem, as opções são limitadas: ou eu pego o serial killer, ou o serial killer me pega, ou talvez eu me entregue ao verdadeiro mistério: a mo

Então.


Olá Leitores do VD, tudo certo?
Novamente venho lhes encher o saco, interrompendo a transmissão para dar mais avisos. Enfim, o blog agora estará com uma nova programação, para melhor atendê-los. Géssica, nossa moviegirl, estará com sua coluna de filmes todos os sábados. Sendo assim, o #musicsaturday morre aí, quando nasce o #moviesaturday. Porém, ele renasce como uma Fênix (tenho andado muito com o D.B.) todas as segundas como #musicmonday. Nos outros dias, continua a não-programação normalmente. Eu e a Laiane (?) postando textos estranhos aqui para vocês.
Outra coisa que é muito importante lembrar é que dia 14 (domingo) é o Valentine's Day (entenderam?). Dia 14 de fevereiro é o dia de São Valentim, dia dos namorados, o dia que deu nome à algumas músicas que deram nome ao VD. Sendo assim, preparem-se pra uma boa coisa. Conhecem um quarto de um canceriano? De uma canceriana? De uma canceriana que não parece canceriana e nem acredita nisso? Conhecerão.

Por hoje é só (eu acho), e amanhã vocês ficam com a Géssica.

Beijos, Anne.

Anna Rosa, por ela


No dia em que o Sol nasceu azul, Anna Rosa pôde sentir na ponta de seus dedos que algo iria acontecer. Nada havia de diferente até a saído do labor, mas a ponta dos seus dedos alguma coisa dizia que tudo mudaria.
De repente ela ouviu em sua mente certas coordenadas que a levariam para um lugar que ela já tinha estado. E como se a JJ estivesse sussurrando a velha música Summertime. Ela podia ouvir tudo, cada acorde, cada trago no cigarro, cada corda vibrando separadamente, o cara da bateria queimando suas ultimas pontas, e a música a levou para o centro do alvo.
Entre milhares ela encontrou o pequeno de capa preta. Entre centenas de milhares, ela já conseguia entender o que causava arritmia e o que tirava o ar.
Ela pulou cercas, avançou mais que suas pernas alcançavam e quando o ar já não entrava mais no seu pulmão, quando JJ dizia: nononononononononononononodontyoucry! O tempo parou, ela pode sair do corpo ao ver seu nome escrito como partituras, por muito tempo houve um silêncio. Por alguns segundos ela poderia cair do Burj Dubai sem nenhum medo de se machucar, por que das letras ela faria uma corda para ajudar a escalar até o topo de novo.
As vozes dos outros foram caladas por um viagem, a luz entrou em copo, tudo havia parado naquele momento, uma pausa bem embassada e espessa.
De onde saíram aquelas palavras? De qual mão poderia ter vindo algo assim?
Naquele momento Anna Rosa se sentiu Anna Rosa, e não mais por quem tanto à chamava. Foi assim, com voz de JJ que dizia que ela iria crescer um dia, tudo tinha ficado bem, até Anna Rosa queimar a chave que abrira esse mundo pra ela. Seus dedos tornaram-se invisíveis, sua voz desafinou, seus olhos perderam o brilho... e assim foi, o dia em que o Sol nasceu azul, para A. Rosa.

Satisfações

Olá Leitores do VD, tudo certo?
Bom, sou eu Anne, que venho por meio desse post pedir desculpas pela não atualização do blog. O que acontece é que estou trabalhando, principalmente nos sábados. Ou seja, minha cabeça anda fervendo sempre, o que é bom porque penso em diversas coisas para escrever, mas é ruim porque fico sem tempo para postar. Logo, o blog passou por 2 sábados sem o #musicmonday, e vocês não imaginam o quanto ele me faz falta.
Para os que ainda não sabem, estou trabalhando como professora de inglês. Por isso tanta demora para atualizar o blog. E outra: é muito provável que eu vá morar só, então uma das coisas fúteis que vou cortar é a internet (não, o blog não é fútil). Então peço a paciência de vocês.
Acho que o #musicsaturday mudará para a segunda, tornando assim o #musicmonday. Mas são planos futuros e preciso da opinião de vocês. Nunca pedi, mas agora eu to pedindo, comentem e me dê idéias para que eu consiga equilibrar vida real e virtual.

Beijos.

Super-exposição

E agora é a vez dela.
Ele levantou a mão e me chamou pra dançar. Colocou-me em seus braços pra que eu pudesse rodopiar. Eu tenho cabelos com cor de ameixa gorda, e meus olhos e lábios seguem o mesmo tom. Meu vestido é como creme que se coloca no café americano e flores ao meu redor.
No meio da dança, comecei a ouvir a música me falando coisas novas. Porque eu estava dançando sobre meus castelos de areia, recém construídos, mas eu ainda ouvia a viola me falar sobre seu velho blues. E eu a segui.
Ela me fala sobre seus velhos amores e dos frutos deles. Me conta seus porres de ópio, das suas viagens de Maria, das noites com Carlos. Fala-me de viagens à outros planetas, me mostra um céu vasto de estrelas, cada uma com sua individualidade.
E eu apenas, segui. Quando dei por mim, eu já estava rodando por outros braços. Mas tudo bem, por que a nenhum deles eu pertencia. Seria só a música e eu naquele momento. Ninguém mais pra estar no meio das preliminares ou nas introduções da música.
Quando numa volta ao mesmo lugar eu vi o nobre senhor, que de nobre já pouco tinha, sentado num bloco de vidro oco, pensando "se viu ou não viu"¹. Parecia irritado, mas mesmo assim, forçava aquele sorriso com dentes cerrados de ódio. Ele não precisou falar nada, nem mesmo me olhar de outra forma, pra que eu me sentisse uma propriedade mal construída dele. A única coisa então que pude fazer, foi dar a ele um pouco da libertação que eu tinha.
E ele dançou, e encontrou no que eu encontrei, uma paz que de longe se percebia. O que eu amava, foi amado por quem eu poderia amar, mas não. Por que levantar poeira foi uma sensação gloriosa, perto da beleza de um amor findável.

¹: Trecho do poema: Num Pacato Vilarejo - Hebe Coimbra

Um bolero


Levantei a mão e a chamei pra dançar. Ela tinha lábios, olhos e cabelos que acompanhavam o mesmo tom. Era assim, pequena por fora, gigantesca por dentro. Havia algo nela como uma droga, me viciava em vê-la dando voltas ao redor dos meus braços. Ela tinha um vestido meio branco, meio cor de nada, meio cor de tudo, com flores na barra e um bordado nos seios. Ela tinha uma linda voz, que era grave e rouca. Escandalosa: é a palavra que define a gargalhada dela, mas não me importo se olham.

Ela dançou comigo, com pés no chão, enquanto a poeira subia e vi notas de violão saindo de suas mãos fazendo círculos que ao redor dela que mais parecia bambolês de fogo. Me hipnotizou, de forma curiosa, com graça e ao mesmo tempo, com uma pitada de malícia. E rodava, e rodava. Quando dei por mim, ela já estava rodando em outros braços e tudo o que pude fazer foi ver.

Eu à perdi pra música. Eu à perdi pra dança. O que eu amei tanto, me tirou o que eu poderia ter amado. Então me pus a pensar, só assim pra entender como não se pode ter tudo na mão. Aí tirei meus sapatos e entrei na dança e na dança eu me deixei levar. Foi aí que entendi que não havia necessidade de querer prender pra mim, o que já era meu por natureza. Que em outros braços ou não, a volta sempre termina no mesmo lugar em que começou.

Senti paz, então pude levantar poeira. E no meio da poeira me perder em nuvens cinzas, nuvens sem cor e coloridas. Névoas completas de Maria e Carlos. Onde me perdi e onde achei ela, dançando entre a poeira, dançando entre bambolês de fogo.

E assim foi:


Ela. Sempre sorria das minhas piadas, sempre cantava minhas músicas, sempre ouvia aqueles problemas que dão voltas e voltas. Me guiou. Ela contava seus problemas como quem conta suas conquistas. Mesmo com seu pés cansados, sua voz rouca e seu braço machucado ela não derramou nenhuma lágrima na minha frente.
Ela. Sabia o que era o bem e o mal, mas por dúvidas, escolhia sempre o meio termo de todas as coisas. Simples e nada delicada. Cantava como um rouxinol livre e outras vezes era silênciosa como um peixe de aquário. Com toda aquela água contida, que vinha a tona quando a bebida quente corria em suas mãos.
Sempre foi assim.
Ela. Escolheu pouquíssimas pessoas para lhe ouvir, e assim escolheu a maioria erroneamente. Ela, se conserta só. Como um pássaro negro que pega seus olhos fundos para ver, ou suas asas quebradas e começa a voar.
Sempre foi assim para Ela.
Por quanto tempo ela quis apenas encostar a cabeça num travesseiro e dormir? Mas eles correm dela como o fogo da água. Por que na sua cabeça há muito mais que borboletas, zebras, vagalumes e contos de fadas.
Sem infância, sem adolescência, sem maturidade, passado, presente ou futuro. Era pra ser apenas Ela.

Perto do céu

Imagine um telhado. Não um telhado normal, onde gatos fazem festa à noite. Nem um simples telhado que tem apenas função de abrigar. Mas um telhado que expande caminhos, contrai os medos e libera a mente.
Não precisa de muita coisa. Só mais de uma cabeça, mais de uma boca. Só precisa de idéias, de atitudes. Precisa de um céu, independentemente de como ele esteja. Precisa de tempo, por que minutos se tornam horas. Precisa ser leve como uma pena e resistente como uma rocha.
Ah, o telhado. O lendário telhado. Em uma noite, ele deixou de ser simples concreto e ferro, para se tornar nuvens e escadas para outra dimensão.
As palavras escorrem pelos dedos e correm para as pernas. Se quiser cantar, pode. Se quiser silêncio, apenas se cale. Se quiser pular, pense. Se quiser dançar, chame o outro. É como estar no topo do mundo. É como estar mais perto do céu. Depois de um tempo, parece que a Lua e as estrelas estão do seu lado, enquanto seus pés balançam no ar. E se quiser fazer fumaça, traga seu triângulo.
É quente e frio. É doce e amargo. É suave e intenso. É diferente do que se pode pensar e igual ao que se pode imaginar. O lance, é sentir.

Welcome

Bem vinda a sua própria casa. Eu sei que parece que você sempre viveu aqui, só que a história que eu fiz em uma semana você não fez na sua vida. Pode se sentar, tire seus sapatos. Aqui é sua casa. Quer sentir como o chão está frio? Quer que eu abra as janelas pra ventilar? Eu abro, afinal aqui é a sua casa.
Dê uma olhada em volta, o que você nota de diferente? Aliás, o que você ver de diferente além da cor da casa? Olhe quem está dentro dela, quem lhe fez um café e lhe esperou aqui. Você ver? Olhe que os lençóis estão esticados e há novas cortinas. Bem vinda a sua nova casa.
Você pode ver que a planta deixada aqui deu fruto? Que há folhas em todo vazo e flores com perfume?
Pare de procurar os defeitos que são bem mais nítidos em você! Você está em sua casa. Cuide para que seja bem vinda nela.

Heaven and Hell


Ele tinha a medida certa entre o bem e mal. Entre o pecado e a santidade. Um Demônio em forma de anjo ou o contrário.
Era estranho como ele conseguia me mostrar o bom e o ruim ao mesmo tempo de uma forma tão simples, tão única. Ele vinha e sacava meus lábios e depois os mergulhava em um oceano do mundo que ele escolheu pra me levar.
E eu que fiquei sem ação, e eu que calada, paguei pelos lábios cerrados. Consenti e senti todas as coisas.
Não precisava de muita coisa para me enfeitiçar de tal forma. De repente eu só segui aqueles olhos vermelhos e pronto. Ele falava coisas que ainda sussurram no meu ouvido.
Um padre possesso. Um Demônio convertido no cristianismo.










Ultilidade Pública


Quando você anda por entre uma multidão de pessoas, não importa muito o que elas são, as idéias que passam nas suas cabeças e suas histórias de vida. O respeito e a curiosidade geralmente se guardam pra quem se conhece. Você querendo ou não, você é frio e insensível, e pode até não ser sua culpa, mas você é. Digo isso por que nos deixamos de nos preocupar com o próximo com medo do que ele pode ser ou até por simples prepotência.
Porém nos últimos dias, de alguns lugares que menos imaginei, vi o mundo se mexer assim como o solo, pra ajudar irmãos. Pessoas que eles nunca viram, nunca ouviram ao menos a voz, alguns nem sabem de onde são, pessoas que nunca lhes contaram as histórias de suas vidas e nem suas idéias. Pessoas que não são próximas e talvez nunca saberão de quem veio a ajuda.
Isso aconteceu como simples comoção, como se um bloco de gelo colocado sobre o planeta derretesse.

Me refiro à mobilização do povo em relação ao Haiti. Como há muito tempo eu não via, as coisas agiram de forma sincronizada: a mídia avisa, o governo faz sua parte, a população faz sua parte. Há muito tempo eu não via pessoas deixarem de lado um 'reality show' para observar o que acontece fora de casa. Espero também que essa nova visão mais altruísta do povo se vire para o nosso país, que também precisa de olhos bem atentos para coisas que nos são vedadas pela ignorância.
Sendo assim, percebi que ainda temos solução para nós, que ainda poderemos, quando velhos, olharmos para trás e ver que o mundo se tornou melhor por nossa causa, por nossa mudança.


Ajude o Haiti.

Doe 5 reais!

Doação de roupas e suprimentos:
Pátio Brasil, Aeroporto, Embaixada do Haiti e Banco do Brasil.
(Distrito Federal)

Doação em $
O Site é em inglês, mas é de fácil acesso.

Doação em $
Banco do Brasil: SOS Haiti, agência 1606-3, conta 91000-7.
(Associação de Mulheres de Militares)
Para doar na associação, o telefone de contato é:
(61) 8172-8468.




Pecado

Ela chegou ainda com o mesmo vestido na velha igreja. Ela disse que precisava confessar, disse que precisava falar por que sua cabeça pesou. E depois de algumas prensadas da Maria, ela resolveu expor isso para o Padre que estava ajoelhado na frente de algumas imagens. Nada de estranho por enquanto, ou pelo menos até ela começar a se confessar.

Então ela disse:

- Ele tinha mãos quentes e uma boca quente. Ele parecia renascer em cada toque. Ele dizia "tudo bem", enquanto me mostrava sua cara bem convidativa. E ele mordia meu pescoço e me tirava o ar. Sei que depois de horas a fio, o Sol já estava voltando para seu lugar. Não importa o que foi dito, se algo foi dito. O que importa é o que fiz. Deitei-me com um Demônio. E me entreguei nisso e fui além do que eu podia imaginar. Eu provei do inferno a pior dose e do céu a maior viagem.

E o Padre respondeu:

- Onde um Padre confessa que é um Demônio?

Rascunho

Por que escrever? - Ele perguntou.

E eu me pus a pensar e meditar sobre isso, então segundos se transformaram em minutos, que se transformaram em horas... e comecei a escrever. Aí que vi que a escrita não era mais nada além do escape, de expandir as idéias tão comprimidas. Por que acho que Deus criou a cabeça sobre todo o corpo para que as idéias escorressem por ombros, braços e dedos. Transformassem-se em palavras que fariam nascer novas ideías. Ou não.

Enfim, talvez essa seja a forma que eu encontrei o que não achei em lugar nenhum. Liberdade para que me conheçam, como sou por dentro e não quantos centímetros tem meu quadril. Obrigada aos que acessam o "Valentine Day". Aos que voltam, aos que comentam, aos que leem e vão embora, aos que entram aqui por passagem.

Lembre-se

Tomei coragem

Lembre-se de me prometer ajuda num pedaço de papel, de estar ao me lado independente de tudo, de me prometer loucura compartilhada, lembre-se do show dos 'armas e rosas', lembre-se de cantar num barzinho à noite, lembre-se do Sol nascer de uma brecha, lembre-se de café sem açúcar, lembre-se de jogar pneus pela rua, lembre-se da pedrinha azul, lembre-se do 'Senhor dos Anéis', lembre-se do dente-de-leão 'dinossaurástico', lembre-se de carros amarelos, lembre-se de hidrantes pontudos, lembre-se de água com gás, lembre-se de balanços quebrados, lembre-se de não dormir até o meio-dia, lembre-se de velhinhos fazendo corrida, lembre-se de sapos cantando, lembre-se de neblina, lembre-se de um capputino seguido de sorvete, lembre-se grandes filmes, lembre-se de grandes músicas, lembre-se de perguntas não respondidas, lembre-se de suas promessas. Lembre-se principalmente de quebrá-las. Lembre-se de partir meu coração, de novo.
Pessoas verdadeiras?

Eu adimiro

Quantas vezes ela não sentiu seu coração menor que um amendoim?
Quantas vezes ela não quis fechar o olhos e não voltar mais a ver?
Quantas vezes ela não ficou esperando?
Quantos noites em claro ela ficou só, acordada, esperando por um palavra só?
O que ela não fez por outras pessoas?
Por quanto tempo ela protegeu o nome dele?
Quantas noites ela não quis esquecer?
Quantas lágrimas calaram a voz desse pequeno roxinol?
Quantas vezes ela não ouviu problemas, tendo tantos problemas a contar?
Quantas vezes ela viu pessoas que ela ama, virarem as costas?

Mas eu ainda adimiro os sorrisos que ela me dá de graça, as piadas nem sempre bem sucedidas, a forma que ela faria qualquer coisa por mim. Ela me facina.


- Pelo menos eu poderia escutar isso de alguém

Um Eterno Amor


As pessoas me perguntam qual meu relacionamento mais duradouro. O mais intenso e o mais apaixonante. Em 2007 ela veio até mim e eu até digo que já reconheci ela de algum lugar. Foi dada pra mim de graça.
A música tem um poder de melhorar meu dia. É como se as cordas, as baquetas e palhetas me dissessem: "Bem, eu sei que você andou muito tempo, venha e descanse em mim, não precisa se segurar mais, eu seguro você". Eu sinto isso.
Por poucos minutos, eu sinto como se eu não tivesse num frio lugar, eu sinto como se o mundo fosse realmente bom, como se todos os meus sonhos fossem realmente se tornar verdade.
Tem gente que relaciona música à pessoas. Pra mim, vejo pessoas como músicas. Algumas, são agitadas e outras, num sussurro me contam segredos. Outras só querem ser amigáveis e ainda tem as que me levantam e enfim, as que não me importam.
Boa música, boa música... Me devolve o ar quando ele falta, relaxa meus ombros, me faz dançar, me diz o que eu preciso ouvir. Me abraça, sim ela me abraça. Quem nunca sentiu isso?
Não preciso ouví-la no volume máximo ou saber cantar todas, nem mesmo entender o que se diz, às vezes a melodia tem falado mais alto.

Dias de guerra

Esses dias eu fui conhecer novas culturas.
Fui ouvir músicas que nunca tinha ouvido.
Ouvi uma música que tinha essa frase:
"Soldado solitário, vá para casa..."
Eu ouvi a música umas 20 vezes,
mas parece que eu só ouvia essa parte.
Ainda ecoa na minha cabeça.
Eu ainda posso ouvir até as cordas do violão vibrarem.

Me sinto assim, boa parte do tempo
Sinto-me como se eu tivesse
lutado numa guerra, por tempos e tempos
e agora, tenho que ir pra casa.

Mas como vou poder descansar minha cabeça
num travesseiro, se o único lugar que não sou
bem vinda é minha casa?
É como se eu estivesse numa guerra entre paredes por erros
que cometi no campo. E são realmente erros?

Eu procuro um lugar pra descanso
Onde eu possa viver em paz
Eu procuro isso em todos os lugares
E não acho em lugar nenhum.

Ambíguo

Faça assim, dessa forma.
Faça-me sentir em casa.
Toque seu instrumento e me faça voar.
Sente no chão comigo e vamos rir um pouco.
Vamos falar de quando éramos crianças.
Da felicidade que tivemos em crescer.
Vamos sair por aí? Não precisa ter um destino.
Sorria pra mim com seus olhos e eu sorrirei pra você.
Cante uma música nova pra mim, que eu não conheça.
Venha, vamos ver os meus discos e adivinhar qual música está passando.

Aí eu faço café e a gente pode tomar com pão.
Ou a gente nem toma nada.
Vamos ver cenas e fazer mímica,
E nos despedir com uma dor no coração.
Mas ok, amanhã você volta.
Ou a gente se bate por aí.
Ou a gente se encontra por aqui.
Mas vamos repetir o novo.
Vamos criar o velho.
Venha descobrir o que há em minhas mãos
Que eu vou descobrir o que você guarda no bolso.

Por que eu sei que há um mundo novo e velho
E eu não te deixaria agora
Não agora.
Não nunca,
Se tiver tudo bem.
Eu farei você rir, e não só rir.

[...]

Child in time

Ela tinha um relógio
Um simples pedaço metálico virou um símbolo
Virou a marca da garota se sempre esperava pelo tempo certo.

As batidas dos ponteiros
Ecoavam na sua cabeça.
A música está alta, pessoas falam,
tem um vidro de vinho na mão dela... mas ainda há um eco em sua cabeça.

Suave... Firme... Tic... Tac... Tic... Firme... Suave... Tac...

Ela fala só
Ela anda só
Ela está dentro de uma casa com muitas pessoas
Ela está numa festa, mas ela está só

tic tac tic tac...

Salto do prédio


Se todos os seus sonhos desaparececem com a fumaça do cigarro?
Se você sentisse muito frio, sem nenhum cobertor?
Se todos os seus músculos estivessem doendo pelos espinhos que outrora os cortaram?
Se seu sorriso tivesse ido embora?
Se seu herói tivesse morrido?
Se caminhar não te faz mais chegar em lugar nenhum?
Se suas mãos estivessem cortadas?
Se seu coração estivesse fraco?
Se as idéias que você formulou se perderam?
Se aquela menina fosse embora com malas cheias?
Se aquele garoto nunca mais te olhasse?
Se a sua família esquecesse você?
Se falassem que não sentem sua falta?
Se suas palavras tivessem morrido?
Um alto e espelhado prédio começa a te parecer atraente, tanto quando uma taça de vinho. Se você saltasse, seus problemas estariam resolvidos? Se você saltasse, entraria em outra dimensão? Se saltasse, se saltasse...
Por que as pessoas querem acabar com as suas vidas?
Por que as pessoas querem acabar com as suas vidas.